Ainda colho toda manhã lembranças de sorrisos
Que reluzem orvalhados no pé de romã
Em passos lentos pelas leiras quentes dos roseirais
Confio meu silêncio e minha intuição ao aroma das rosas
E tudo em meus olhos reflete o vermelho-negro das pétalas
(Qualquer lágrima nesse momento é pura como são as rosas)
o vento agora toca suave em minha face
já posso voltar a rotina, tentar alguns versos
enquanto o cigarro queima apressado
e as compotas que preparo brincam ao fogo de lenha;
Escrever algumas cartas, ainda que não as envie
Rever algumas fotos, ainda que não volte o tempo
Tentar lembrar a prece que fazia quando menino
Ainda que não a pronuncie.
O aroma de framboesa me leva às compotas
O sabor doce, quase inocente, quase tão puro
quanto a poesia de colher sorrisos todas as manhãs,
De caminhar pelas aleiras dos roseirais, ainda que não mude nada
Ainda que mudar nada, eu possa...
(Qualquer lágrima nesse momento é pura como são as rosas)