Meus olhos guardam os segredos da morte.
suas mãos enrijecidas em pétalas de mármore-rosa
colhiam maçãs e notas musicais
era mulher e bela e andava despida sobre o sol e o tempo
a vi em sua plenitude
com seios claros em ágata e flores
dentes de sabre e línguas em fogo
e nos lábios o hálito cítrico do veneno dos deuses.
meus olhos guardam o aroma da morte
correndo ao vento com cascos de corsa
mulher, bela, despida sobre o sol e o tempo
olhos em tons de universo nem sacro nem profano
mãos justas e braços maiores que demônios e anjos
recriando a vida, em seu útero faminto
infinito,
divinamente
humano