Vi em sangue os pulsos da virgem
Cortado por navalhas de rosários e conchas
Dos seus pés sem vida, brotavam brumas de hóstias azuis.
Eram vermelho-uva os lábios da virgem
Tinha no hálito a plumagem galopante dos ventos
E cabelos que geravam leopardos e esfinges gregas
Seus olhos guardavam o canto das planícies e dos rios
E desde o princípio era ali que as noites se alimentavam
Vi em sangue os pulsos da virgem
E demônios que dançavam invisíveis sobre sua fronte
Do útero seco das consciências ouviam-se o crepitar das macieiras em chamas
Não dobrei meus joelhos, nem meus dedos tocaram a ferida
Preferi perder-me na fenda eterna da loucura
E ter em meus olhos, escamas e guizos em aço e fuligem
Por ter visto em sangue, os pulsos da virgem.