Presilhas em finas pedras adornavam
Os cabelos longos e acinzentados.
pétalas de rosas negras
compunham suave véu que
Cobria parte da sua face.
Tinha os pés de terra, barro e musgo
E foi com a terra que aprendera todos os cantos e rezas
Era íntima da morte
E frágil como luz de lamparina.
Era neta de rezadeira
Filha de rezadeira
Mas a única a ter nos olhos duas ametistas vermelhas
E treze dedos nas mãos
O hálito de música e sementes de ervas sagradas
Pousava luz em todas as chagas e dores
E do seu lábio o vento branco calmo e com cheiro de flores
guiavam as almas além das serras e dos céus
Era frágil como luz de lamparina
Morria só, toda noite, como as luas
Minguantes
E como o sol
renascia sempre
No mistério eterno do barro e musgo
Da terra das rezadeiras...
Dedicado a Flora Figueiredo