Eram negras, de lábios fartos
Olhos profundos e seios rijos
Suave sorriso de colibri.
Cantavam na margem do rio
Cobertas por pétalas de rosas
E brumas de divino perfume.
Bebiam da própria lua
Convertiam os ventos e as tempestades
Falavam a língua dos pássaros e das árvores
Bendiziam a terra pelas flores e floradas.
Vinham com colares de pedras e estrelas
E conchas em mármore, tatuada nas mãos
Mostrava o universo em equilíbrio.
As três Marias
Eternas nas margens de todos os rios
Lábios fartos e seios rijos
Cântico que consagra e imola
Negras,
Como nossa senhora
Virgens,
Como nossa senhora
De lábios fartos
Como nossa senhora
As três marias
As nossas senhoras...
Dedicado a Eunice Arruda