As mulheres nuas.
Aquelas colocadas sobre as portas
que se levantavam dentro das casas.
As que exalavam aromas leves
de lírios recém-nascidos.
Seus seios prolongados.
Suas pernas extensas e derramadas
no próprio coração e na orelha que se estendia.
As bocas sinuosas tombadas
sobre as batatas cozidas.
As mandíbulas separadas pelos dentes
que se cortavam e se distraíam.
Suas mãos que se escondiam
entre as pernas, dentro da genitália sombreada e vazia.
Não esqueçamos as velhas amigas de 1925.
A cor dos seus olhos iluminados.
As nádegas arredondadas sobre as coxas.
Seus dedos indicando o caminho
da cidade onde se encontrava o rio.
Suas palavras mais antigas
cantadas pelos olhos solidários
e pela haste que se ocultava
na garganta incendiada e multiplicada
por trinta e uma e mais cinco.
O doce que se extraia de seus lábios estremecidos
e acordados nas manhãs reconstituídas.
A pele que brotava da própria pele
como se fosse de aves rejuvenescidas.
Não esqueçamos as velhas amigas de 1925.
Não esqueçamos
seus vestidos estampados.
Suas maquiagens avermelhadas.
Suas testas de onde saíam
facas sujas de leite e pão.
Seus cachorros de raça alemã.
Suas bacias onde lavavam roupas íntimas.
Seus braços finos esticados sobre a cabeça.
Seus talheres de prata importada.
Suas línguas de mistério, delicadeza e furor.
Suas loucuras quando tratavam da morte
e daquilo que as fecundavam.
Não esqueçamos a chuva e a noite,
as fotografias com dedicatória.
Os cabelos escondendo as costas.
O delírio debaixo das mesas silvestres.
O amor prenunciado e indestrutível.
Não esqueçamos as velhas amigas de 1925.