as últimas luzes do sol bordam à vida nuances de descanso
como uma pausa musical
A noite se entrega lenta à dança dos girassóis
O ritmo doce-água do monjolo desperta
o aroma das melissas que não colhi.
a lua entorna estrelas num céu que não me pertence
meus segredos todos já não têm sentido algum
A solidão e o tempo os tornaram dispensáveis, comuns...
não sei em qual porta-jóias esqueci os amores que tive
os álbuns de fotografias há muito se perderam
Todos os caminhos se parecem por não haver outro ponto de chegada ou partida.
É noite, e definitiva:
minha alma já parece ter a idade do universo
O fogo brando cozinha o chá de ervas,
A minha volta, aos poucos, tudo se faz silêncio
Percebo-me entre a dança dos girassóis,
Sinto-me leve - quase melodia
E irei antes de nascer o dia.