Minhas roupas estão gastas
As poucas compotas onde guardo meus chás estão quase vazias...
O ciclo das flores, mudou, assim como o da lua
a noite traz outras canções que acompanham os ventos,
os pontos cardeais ainda podem guiar as pessoas
mas há cores diferentes e intensas no céu
e é perceptível o seu lento processo de envelhecimento
enganam-se os que pensam ser eterno o firmamento
(o céu muda de humor e cor, constantemente)
minhas preces são rápidas, não há santos ou imagens
nem calendários no branco da cal que cobre as paredes
aprendi a não ter lembranças , estantes, ou gavetas
e minha mão ter a calma necessária de trabalhar a massa do pão
enquanto o fogo lento consome lenhas finas
a memória traz-me Boby Dilan
aroma do incenso junto a luz quase pura da lamparina
parece me absolver de algumas culpas
(outras tantas já parecem eternas...)
Por isso em noites de lua, deixo abertas as janelas
E por vezes, entre assovios de uma outra canção que chega furtiva
Percebo entre os ramos, as videiras, os anjos que talvez já esquecidos
Acendem vaga-lumes que riscam toda a noite, em estrelas de sorrisos
O ciclo do paraíso mudou, embora muitos não tenham percebido...